Apropriações Tecnológicas, novo livro de Karla Brunet
A EDUFBA, editora da Universidade Federal da Bahia – UFBA, acaba de lançar o livro ”Apropriações tecnológicas: emergência de textos, idéias e imagens do Submidialogia#3″, organizado por Karla Schuch Brunet, professora e pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Cibercidades – GPC.
O livro está dividido em três partes (parte 1 – Conceitos e inspirações; parte II – Práticas e Experimentações; e Parte III – um email) que reúne uma série de artigos em torno do universo digital e das intervenções artísticas urbanas, como “Entre o analógico e o digital: apontamentos sobre suas formas de conhecimento e poder”, “Por que não falamos de Propriedade Intelectual?”, “Inventar a gratuidade”, “Bits, Átomos e Conversas Corridas antes do Sub#3 Acabar… “, “Metasubcibertrans”, entre outros.
Além da edição impressa, o livro também encontra-se disponível na rede em PDF.
A apresentação do livro define a proposta: “O livro “Apropriações Tecnológicas. Emergência de textos, idéias e imagens do Submidialogia#3” surgiu da necessidade de organizar o material produzido durante o encontro Sumidialogia#3, realizado em dezembro de 2007, em Lençóis/BA. Submidialogia, com o slogan “a arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento”, é um encontro com o intuito de promover o estudo e discussões sobre teorias e práticas da mídia digital brasileira.”
No commentsComunicação sem fio no Ciber.Comunica 3.0
Bluetooth, wi-fi, wap comunication, infrared. Se esses termos ainda não fazem parte do seu vocabulário, isso vai mudar depois do Cibercomunica 3.0, promovido pelas Faculdade Jorge Amado nos dias 13, 14 e 15 de maio. Essa é a terceira edição do evento que tem como objetivo discutir a comunicação associada às tecnologias contemporâneas. A cada ano o Ciber.Comunica tem um tema central. Nesta edição a discussão girará em torno da Comunicação Sem Fio, envolvendo os cursos de Jornalismo, Rádio e TV, Publicidade e Propaganda, Redes e Sistema. O evento é uma iniciativa da Coordenação dos Cursos de Comunicação Social da Jorge Amado, em parceria com o Atelier de Comunicação e Cultura – GERCOM e o Centro Internacional de Pesquisa em Cibercultura da Facom (UFBA), juntamente com o CEI (Centro de Excelência de Informação do Grupo A Tarde).
Durante o Ciber.Comunica 3.0 acontecerá, em paralelo, o Festival MicroMínima, de filmes produzidos através de celulares. Serão ao todo cerca de 150 microfilmes de até 1 minuto e 15 segundos de duração, cada, com tema e linguagem livres, realizados por alunos das disciplinas de Novas Mìdias I e II, coordenadas pelos professores mestres Claudio Manoel Duarte e Macello Medeiros.
Apesar do tema atualíssimo, o Cibercomunica continua obedecendo aos mesmos moldes. É o que garante o seu coordenador geral, o professor mestre Claudio Manoel Duarte. Segundo ele, o tema pode englobar palestras sobre software livre, open journalism, autoria, propaganda e marketing viral livre, produção e publicações coletivas a distância, educação a distância, bluetooth e informação, censura e rede, publicação literária em rede, creative commons, dentre outros. “O que motiva o Ciber.Comunica é o acompanhamento dos usos das tecnologias nas variadas formas de comunicar”, justifica o professor. O evento, que pretende inserir os estudantes da Jorge Amado na discussão sobre comunicação, informação e tecnologias contemporâneas, conta com a realização de workshops, palestras e mostra de vídeos, além de outras atividades.
O público-alvo é formado por alunos, professores e profissionais de comunicação, mas é importante ressaltar que o evento é aberto ao público geral. Os interessados em participar devem apenas contribuir, no ato da inscrição, com um quilo de alimento não-perecível, a ser entregue na sala do Núcleo de Ação Social da Jorge Amado, que fica localizada no Prédio I, Nível 9. Os alimentos arrecadados serão distribuídos para uma das entidades filantrópicas apoiadas em projetos sociais da instituição, a ser definida por sorteio. O participante terá direito a certificado.
Fonte: Lista Cibercultura.
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Mobilefest 2007
O Mobilefest 2007 contou com a “presença” de Mimi Ito, através do sistema de videoconferência. Ela apresentou alguns pontos sobre a relação entre tecnologia, mobilidade e a cultura jovem japonesa. A apresentação trouxe alguns elementos que nos ajudam a entender um pouco mais sobre a forte difusão e atração que os dispositivos móveis exercem sobre os japoneses, principalmente os adolescentes.
Para Mimi Ito, é preciso primeiro diferenciar os telefones celulares dos PCs. Os primeiros são mais democráticos, pela facilidade de acesso, já que o preço é bem menor, pelo uso constante no dia-a-dia por grande parte da população e por oferecer uma forma de comunicação privativa, com possibilidade de se estabelecer uma formatação mais pessoal.
O celular pode ser considerado mais pessoal que os PCs, já que consideramos um dispositivo por pessoa. A tela pequena também traz a idéia de privacidade. Já comentei em uma das reuniões do GPC a relação inversa entre tamanho da tela e privacidade. A tela do celular se torna um portal privativo, difícil de ser “espiado” pelos outros. Eles também permitem a comunicação enquanto andamos pelas ruas, carregamos coisas, etc. Diferente dos PCs, mesmo dos notes.
Os japoneses consideram uma atitude rude falar durante as viagens de metrô. É muito comum mandarem, por exemplo, um SMS pedindo permissão para realizar uma chamada de voz. Assim, as mensagens de texto se tornam uma solução essencial para os momentos (muitos…) onde não é apropriado falar.
O contexto local tem uma grande influência na forma de adoção de uso dos celulares. Não existe uma trajetória única, que sirva como um modelo de uso para todos os lugares. No caso do contexto japonês, houve uma lenta adoção dos PCs, além de existir uma preferência típica dos japoneses por portáteis, em relação não só a tecnologia, mas todo tipo de bugigangas.
Os celulares criam então a idéia de espaços tecno-sociais, em que as pessoas podem estar distantes, mas se sentem próximos através do envio de mensagens. Um conceito “always on, never alone”.
O contexto e o perfil dos jovens japoneses não estimulam apenas a interação social através de telefones celulares, mas também a partir de diversas formas não digitais. A grande difusão dos purikura, principalmente entre as meninas, e os cards, entre os meninos, são alguns exemplos. Purikuras são cabines de fotos digitais que podem receber pequenos grupos de amigos. Nas cabines são tiradas fotografias, que depois de modificadas através de telas touch-screen (modding), são impressas em adesivos e divididas entre os participantes.

Os adesivos são colados em diversos objetos pessoais, como cadernos, estojos, álbuns, etc. Eles podem ser recortados, trocados e são tratados de diferentes formas, da privacidade ao exibicionismo, dependendo da relação estabelecida entre as pessoas presentes nas fotos. São um tipo de orkut low-profile em que os jovens podem divulgar quem são seus amigos e que tipo de proximidade existe entre eles. Os adesivos de purikura formam um verdadeiro mosaico das relações sociais e atividades de seus donos.

Para os meninos, os cards são representantes de uma cultura pós-pokemon. A TV já não é mais o centro das ações, já que eles podem colecionar, trocar ou disputar os cards, carregando-os para todos os lugares. Entre as coleções de cards, alguns são mais raros, o que estimula o interesse e as relações entre os colecionadores. A diversão está entre o analógico e o digital, com conteúdos baseados em cartões, assim como games, celulares, etc.
Os exemplos acima mostram relações sociais criadas e reforçadas a partir tanto de elementos reais/físicos, quanto de elementos virtuais. Nos adesivos Purikura a foto impressa, em papel adesivo, também é modificada, recriada a partir de recursos de edição digital, com imagens, grafites e BGs virtuais, assim como as dinâmicas dos cards transitam entre os antigos cartões de papel ou plástico e os recursos de games, filmes, sites e dispositivos móveis.
Tive oportunidade de fazer uma pergunta, aquela primeira pra quebrar o gelo. “Como você tem observado a criação de novas formas de uso do espaço urbano a partir das tecnologias digitais móveis? (ou algo asism..)
Mimi Ito: “Existe atualmente uma migração de cartões de banco, de transportes, por exemplo, para os telefones celulares. Por isso, as pessoas utilizam cada vez menos dinheiro e os serviços urbanos são cada vez mais monitorados. As antigas estruturas públicas desaparecem, como por exemplo os telefones públicos, e se torna difícil viver na cidade sem o celular. Os relacionamento em bares e points se tornam mais raros, já que essa interação passa a acontecer tb nesses dispositivos.”
Ponto interessante: durante o evento meu celular descarregou. Na saída, lá pelas 22h30, tentei ligar de um orelhão na Av. Paulista, que podemos considerar a rua mais importante do país. Tentei em 3 telefones, não consegui de nenhum :/
O artista e escritor Armin Medosch, que participou presencialmente, com uma palestra sobre a aprendizagem hacker, tb esperava mais da resposta, tentou complementar citando manifestações artísticas na ruas, a criação de linguagens digitais mais urbanas, os location-based services, as mídias locativas e a recuperação de espaços públicos através do uso das tecnologias.
Sua participação foi provocadora na defesa das redes mesh como forma de garantir o direito à liberdade de realização de suas próprias conexões. Segundo ele, mais do que entregar computadores coloridos à população (espetando um projeto apresentado pouco antes), importante realmente é fornecer conhecimento para que todos possam formar suas próprias redes.
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