Overload

Archive for July, 2008

Blitz do Goró

Mobilização, redes sociais, dispositivos móveis e contra-vigilância. Esses são alguns dos elementos da corrente que pretende divulgar através de mensagens SMS os locais das Blitz do Detran em Brasília/DF. Sem entrar na discussão da coerência ou incoerência da lei, a corrente mostra como os dispositivos móveis e as mensagens de texto podem ser utilizados na divulgação de informações alternativas, que mudam não só os percursos e os pontos de encontro dos participantes (já que eles podem se deslocar para bairros ou regiões fora do roteiro da fiscalização), mas também as práticas de vigilância (blitz) que se tornam itinerantes, exigindo uma reorganização de seus processos.

A matéria abaixo foi publicada no site do Jornal Hoje.

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A “corrente do goró”

A lei seca mal entrou em vigor, e motoristas de Brasília já tentaram uma forma de escapar das batidas policiais. O Detran da cidade promete reagir.

 

 

 

Mensagens de celular informando o local e a hora de início e fim da fiscalização começaram a ser disparadas no último fim de semana. A corrente, chamada de “Blitz do Goró”, termina com o tradicional pedido: que ela seja passada adiante.

O estudante de engenharia Mateus Soares recebeu duas correntes no mesmo dia. Para ele, o jeitinho encontrado para burlar a fiscalização é conseqüência do rigor da lei seca. “Ela é eficaz contra os beberrões, evitando os acidentes, mas pessoas que bebem socialmente foram prejudicadas”, argumenta Mateus.

O Detran e a Polícia Militar de Brasília investigam de onde partiram as informações e decidiram mudar de estratégia. Agora, o local da blitz só vai ser conhecido na hora dos carros irem para a rua.

O diretor do Detran-DF, Jair Tedeschi, diz que o envio das mensagens não é crime previsto em lei, mas comparou a bandidos quem inventou a idéia: “Cada vez que você consegue combate um tipo de crime, o bandido inventa outra. Ele sempre procura uma forma de burlar a lei, mas a gente também vai, com inteligência, buscar sanar esse problema”.

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III CONECO

Está aberta a chamada de trabalhos para o III Coneco (Congresso de Estudantes de Pós-Graduação em Comunicação). O congresso, que chega à sua terceira edição, será realizado nos dias 26, 27 e 28 de novembro de 2008, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

O prazo final para envio do resumo expandido é 23 de julho de 2008. O tema deste ano é “Dispositivos e Resistências”. O evento é dirigido a professores, pesquisadores, estudantes de pós-graduação e graduação de Comunicação, profissionais da área que atuam nos veículos de comunicação, assessorias de imprensa de empresas públicas e privadas, Universidades, ONGs e demais interessados no tema.

O III Coneco é organizado por representantes dos estudantes dos programas de pós-graduação em Comunicação do Rio de Janeiro que integram o PPGCom: UERJ, UFRJ, UFF e PUC-Rio.

Mais informações aqui.

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Mídias locativas: a internet de lugares e coisas

No artigo “Mídias locativas: a internet de lugares e coisas”, publicado na Revista Famecos, Lucia Santaella aborda a questão das mídias locativas, que surgem principalmente a partir da web 2.0, da cultura da mobilidade baseada em dispositivos móveis de comunicação e informação e os sistemas de posicionamento geográfico. Segundo a autora, as mídias locativas fazem emergir novas espacialidades de acesso, presença e interação que reconstituem os modos como nossos encontros com lugares específicos, suas bordas e nossas respostas a eles estão fundadas social e culturalmente.

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Backseat Playground

Explorar tecnologias para a formatação de narrativas interativas, criação de engines para jogos no mundo real, enriquecer o tempo que as pessoas passam no banco de trás dos carros e apoiar o aprendizado de disciplinas como geografia e história local de uma forma mais divertida. Esses são alguns dos objetivos do projeto Backseat Playground.

 

 

O jogo também busca possibilitar a incorporação de diferentes aspectos da mobilidade para a criação de experiências imersivas. A idéia é envolver os jogadores em uma jornada ao invés de apenas focar em uma tela, tornando a experiência do deslocamento divertida e relacionada aos lugares visitados.

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Rope Skipping

Esqueça as musiquinhas e brincadeiras infantis, pular corda agora virou esporte – e dos mais arrojados. Os especialistas na nova modalidade, batizada de “rope skipping” (pular corda em inglês), acrescentam à tradicional atividade manobras, elementos de dança e acrobacias. 

“Para mim, pular corda sempre foi uma brincadeira antiga e de criança. Também fiquei surpresa quando vi uma apresentação de ‘rope skipping’ feita por um grupo belga. Entrei em contato com eles e descobri o esporte”, conta Ana Sato, uma das integrantes do grupo Corda de Rua, representante da nova modalidade aqui no Brasil. 

A trupe viaja todo o Brasil apresentando ao público suas acrobacias enquanto pulam corda. E todos os finais de semana, passam o dia em parques públicos convidando os mais animados a participar da brincadeira.

“Tem que praticar um pouco, mas qualquer pessoa pode se divertir. Quando vamos a um parque, convidamos o público para brincar com a gente. Qualquer pessoa pode pular. O magrinho, o mais gordinho, a criança, o adulto, até quem jura de pé junto que não consegue, acaba conseguindo”, garante Ana, dizendo que não é difícil aprender o “rope skipping”.

Além de tudo, a prática de pular corda é saudável. “É uma atividade aeróbica, que ajuda na circulação, na respiração e no coração, além de trabalhar os músculos. Mas também faz bem à auto-estima e ao humor. É uma atividade muito gostosa, as pessoas se divertem. E tem também a auto-superação.”

O objetivo do Cordas de Rua, criado no início deste ano, é divulgar o esporte e atrair novos praticantes. Para facilitar essa comunicação com outros adeptos, foi criado um blog, que traz ainda vídeos incríveis e a agenda da trupe. “O Brasil, do tamanho que é, deve ter mais alguém que faça isso”, espera Ana. 

Criado no final da década de 60, o “rope skipping” se configurou como uma modalidade esportiva, com regras, saltos definidos e federação internacional.

“As regras funcionam apenas em função das competições. Por exemplo, todo mundo que está no grupo tem que pular e também bater a corda. Se for sincronizado, o grupo todo precisa fazer o mesmo movimento ao mesmo tempo. Acabar depois da música também não pode”, afirma Ana.

E completa: “Como o nosso objetivo não é competir, não levamos tudo isso em conta. Queremos divulgar o esporte e mostrar que qualquer pessoa pode praticá-lo”.

Os integrantes do Corda de Rua não cobram pela apresentação e ainda dão dicas para quem quiser começar a praticar por si só. “Não é necessário nenhum tipo de corda especial, mas precisa ter espaço. É simples, apenas isso. Se tiver vontade, pegue uma corda e comece a pular. Não tem pré-requisito. E você ainda pode inventar manobras”, conta Ana. Hoje em dia, aqui no Brasil, já há quem pule corda e faça embaixadinhas ao mesmo tempo.

Fonte: globo.com

 

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WHRRL, Social Discovery

Através de mapas e informações sobre as atividades dos contatos e amigos do usuário, o sistema Whrrl pode sugerir novos lugares a serem explorados ou atividades a serem realizadas. Seus criadores chamam essa tendência de “social discovery”. No mapa o usuário pode visualizar ícones (imagem abaixo) que indicam o status dos locais, como aprovado por amigo, desaprovado por amigo ou local que um amigo deseja conhecer. O slogan “The people you know. The place they go” traz o conceito de indicações e ranking a partir das preferências dos seus conhecidos, o que a priori pode ter mais chances de agradar também a você. 

 

 

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The Evolution of Mobile Phones

No Jornalismo & Internet, Marcos Palacios indica este vídeo sobre a evolução dos telefones celulares, de 1985 aos dias atuais, com algumas projeções para o futuro próximo.

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ABCIBER – Call for Papers

ABCIBER – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA

II SIMPÓSIO NACIONAL

PUC-SP

10 a 12 de novembro de 2008

Realização, promoção e organização: cf. ficha técnica adiante

…………………….. CALL FOR PAPERS ………………………….

Referência: participação em painéis temáticos;

Prazo de inscrição: 14/07 a 01/08/2008;

Referência textual: resumo ampliado (3 páginas ou 10.800 caracteres);

Forma de proposição do resumo: remessa de arquivo via Internet;

Endereço de referência da Comissão Organizadora: cencib@pucsp.br;
Divulgação dos trabalhos aprovados: 20/08/2008;

Prazo final para apresentação do texto completo: 10/09/2008.

***** INFORMAÇÕES IMPORTANTES

[1] Os trabalhos inscritos deverão ser inéditos (isto é, elaborados
exclusivamente para participação no Simpósio, não podendo ser apresentados
nem publicados antes do mesmo).
[2] Os textos serão avaliados e selecionados por uma Comissão Julgadora
formada por membros da Diretoria e/ou do Conselho Científico Deliberativo da
ABCiber (cf. adiante).
[3] Os painéis temáticos para apresentação dos papers serão organizados por
afinidade temática e divulgados oportunamente.
[4] A Comissão Organizadora lançará site de referência em julho próximo, com
informações detalhadas e progressivas sobre o evento (programação, estrutura
dinâmica, valores para inscrição etc.).
[5] As despesas decorrentes da participação nos painéis, não podendo ser
arcadas pela ABCiber, deverão ser cobertas com verba de origem.

***** REFERÊNCIAS PARA A EDIÇÃO DO TEXTO COMPLETO

Tema: livre, vinculado a pesquisa em desenvolvimento e inserida no amplo
âmbito de estudos da cibercultura.

Dimensão ideal do texto: entre 10 e 15 páginas (ou de 36 mil a 54 mil
caracteres), incluídas as notas de rodapé e a bibliografia.

Fonte/tamanho: Times New Roman, 12.

Sugestões ampliadas:
título: 17 (com letras maiúsculas, em negrito);

subtítulo: 15 (com maiúsculas e minúsculas, em negrito);

intertítulos (com tabulações diferenciadas):

tópico: 15 (maiúsculas e minúsculas, em negrito);
subtópico: 13 (idem);

item/subitem: 12 (idem).

Espaçamento: simples.

Normalização das citações: NBR 10520/2002 da ABNT.

Normalização das referências bibliográficas: NBR 6023/2002 da ABNT.

Resolução de fotos: compatível com impressão em off-set.

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***** DIRETORIA DA ABCIBER

[Comunicação, Artes, Antropologia e Educação]

[Gestão 2007-2009]

Presidência:
Eugênio Trivinho (PUC-SP)


Vice-Presidência:
Theóphilos Rifiotis (UFSC)


Secretaria Executiva:
Henrique Antoun (UFRJ)


Secretaria de Finanças:
Alex Primo (UFRGS)


Diretoria Científica:
Vinicius Andrade Pereira (UERJ)


Diretoria de Comunicação:
Fernanda Bruno (UFRJ)
Diretoria Cultural:
Simone Pereira de Sá (UFF)


Diretoria Editorial:
Marcos Palacios (UFBA)


Conselho Fiscal:
Francisco Rüdiger (PUC/RS)

Gilbertto Prado (USP)
Marco Silva (UERJ e UNESA)

***** CONSELHO CIENTÍFICO DELIBERATIVO DA ABCIBER

[Comunicação, Ciência da Informação, Antropologia, Psicologia Social,
Educação, Semiótica e Artes]

[Gestão 2007-2009 - 21 membros(as)]

Adriana Amaral (UTP)

André Lemos (UFBA)

Diana Domingues (UCS)

Erick Felinto de Oliveira (UERJ)

Fátima Régis (UERJ)

Francisco Coelho dos Santos (UFMG)

Francisco Menezes Martins (UTP)

Gisela Castro (ESPM)

Juremir Machado da Silva (PUC/RS)

Lucia Santaella (PUC-SP)

Lucrécia D´Alessio Ferrara (PUC-SP)

Luisa Paraguai Donati (UNISO)

Othon Jambeiro (UFBA)

Rogério da Costa (PUC-SP)

Rosa Maria Leite Ribeiro Pedro (UFRJ)

Sandra Portella Montardo (FEEVALE)

Sebastião Squirra (UMESP)

Sérgio Amadeu da Silveira (Cásper Líbero)

Sueli Mara Ferreira (USP)

Suely Fragoso (Unisinos)

Yara Rondon Guasque Araujo (UDESC)

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Ciberpesquisa no Globo Universidade

O programa Globo Universidade, da TV Globo, destacou as pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisa em Cibercultura – Ciberpesquisa/UFBA, com a participação do coordenador do Centro e do Grupo de Pesquisa em Cibercidades, André Lemos, além dos pesquisadores Macello Medeiros, Karla Brunet e Fernando Firmino.

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Carta Aberta (André Lemos e Sérgio Amadeu)

Carta aberta escrita por Sérgio Amadeu e André Lemos está circulando para angariar adesões de qualquer cidadão que concorde com seus termos. Quem estiver de acordo e quiser assiná-la basta mandar um ok com o nome e a instituição para samadeu@gmail.com.

O projeto está previsto para ser votado no dia 9 de Julho. 

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EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA

A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.

A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento. O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos software livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural.

A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana. E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias que mais crescem são, justamente, “Educação e Carreira”, ou seja, acesso à sites educacionais e profissionais. Devemos assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil.

Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de existência. Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral.

O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância. Se, como diz o projeto de lei, é crime “obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida”, não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por “cópia sem pedir autorização” na memória “viva” (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comum dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime.

O projeto, se aprovado, colocaria a prática do “blogging” na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém! Se formos aplicar uma lei como essa as universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao “transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado”, “sem pedir a autorização dos autores” (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los). Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos.

O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos… Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum “dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular”? Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime.

Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI. Por estas razões nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000, e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.

 

André Lemos, Prof. Associado da Faculdade de Comunicação da UFBA, Pesquisador 1 do CNPq.

Sérgio Amadeu da Silveira, Prof. do Mestrado da Faculdade Cásper Líbero, ativista do software livre.

 

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