Overload

Purikura

 

O purikura é um fenômeno que já faz parte da cultura dos jovens japoneses desde os anos 90s. O nome purikura é uma versão reduzida de purinto kurabu, o que seria o equivalente a “print club” em inglês. Purikuras são cabines de fotos digitais que podem receber duplas ou pequenos grupos de amigos, entre 4 e 6 pessoas. Dentro do purikura, ao som de música pop japonesa, são produzidas fotografias, que depois de modificadas com uma grande variedade de imagens, bordas, textos e BGs virtuais através de telas touch-screen (modding), são impressas em adesivos e divididas entre os participantes.

O purikura é um exemplo de prática de produção e troca de imagens e visualização de redes sociais ainda independente de câmeras digitais ou sites. Os adesivos podem ser recortados e trocados entre amigos, que colam as imagens em celulares, cadernos, estojos e tudo o que for possível. Mais comum entre as garotas, quase todas elas carregam álbuns de purikura, os puri-cho, como uma forma de materialização de sua rede social.

Na escola, durante os intervalos, as meninas costumam mostrar seus álbuns. Isso acontece apenas entre as amigas mais próximas, principalmente a troca de adesivos. Nem todas os adesivos são divulgados, como imagens na companhia de namorados ou amigos mais íntimos. Os álbuns funcionam como uma amostra das relações individuais e das atividades das garotas, assim como suas habilidades na modificação das fotos. A cultura da troca de adesivos tem a função de mostrar o estilo e o status social das garotas, em um formato divertido, que estimula conversas e fofocas.

As cabines permitem privacidade em locais muito movimentados, com a possibilidade de produção, modificação e distribuição imediata de fotos entre os participantes. É um exemplo raro de como a produção e troca de imagens pode ser parte de uma infra-estrutura de diversão baseada em localização.

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